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Causas Sociais, Destaque

Profana

8 de outubro de 2018
access_time 3 minutos

Nasceu com a marca do fardo
Cresceu com o gozo entalado
Dormiu com o roxo no braço
Acordou com um descaso amargo
Teve o sonhar um cenário árido

Transformou-se em um poço de mágoas
Cansou de ser subestimada
Tentou não ser estigmatizada
Pretende lutar mesmo sendo calada
Com a dor que passou a enclausura-la

Execrada por querer se expressar
Julgada por não querer amamentar
Enfadada por ser violada
Acusada por ser estuprada
Priorizada só quando é usada

Escárnio da alma dolorida
Lutando para não ser oprimida
Pautando-se em Fridas
Mesmo com trajetórias sofridas
Sempre avante com suas vidas

Patriarcado é o legado
Renegando os direitos alcançados
Encobrindo a herança do batizado
Camuflando a misoginia escancarada
Ocultando essa mácula de maneira bem organizada
Seu corpo é visto como propriedade
Rodeada por ações de iniquidade
Imersa em robustas arbitrariedades
Mas procurando abrigo em novos olhares
Cogitando um pouco mais de humanidade

Gritando para a Lei te incluir
Lutando para ninguém te excluir
Correndo contra a submissão
Farta dessa vida de cão
Afinal não somos objeto de manipulação

Não iremos sucumbir
No epílogo da vida vamos todas florir
Reverberando amiúde contestação
Chega de toda essa estereotipação
As outorgas de nossas vidas não resistirão

Todo dia temos vítimas do feminicídio
É que temos a supremacia de um pensamento frígido
Cheias de marcas em nosso interior
Obrigadas a ter o triplo de pudor
Afinal nossa imagem deve transbordar amor

É que o passado da fogueira nos aprisiona
A norma de etiqueta nos condiciona
Não podemos ter o poder da indagação
Temos que conter nossa inquietação
Precisamos estar em constante alienação

Tudo é temido quando se fala em feminismo
Mas tudo é relativo quando falamos em machismo
Somos as mundanas da nação quando falamos em liberdade
Mas somos as puritanas a serem seguidas quando falamos em fertilidade
Ficamos sempre reféns dessa eterna vigia

Até o nosso corpo tem que pedir permissão
Sem falar da psique que sofre constante retaliação
O lirismo da alma quer aparecer
Mas quer deixar o onírico e fazer acontecer
A hierarquização sexual não tem mais espaço para crescer

A cultura anti desigualdade precisa amadurecer
As correntes da viseira necessitam apodrecer
Não tem mais espaço para essa dominação
Não somos obrigadas a não dizer não
Simplesmente retirem toda essa imposição

Só clamamos por respeito e o fim dessa categorização
Porque queremos respirar o ar da libertação
Não somos mais as bruxas da nação
Cansamos de toda essa Inquisição
Simplesmente respeitem nossa aparição.

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