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Causas Sociais, Destaque

O grande NÃO para a opressão

3 de novembro de 2016
access_time 4 minutos

Seu corpo é visto como um meio
Seu corpo é visto como um recinto para se despejar os prazeres
Você tenta gritar, berrar, pedir socorro
Mas o que leva é um soco
O soco físico e a opressão
Você é apenas mais uma filha do cão

Você tem que medir suas palavras, suas roupas, seus desejos, suas crenças e sua maneira de se portar
Você será sempre culpada, marginalizada, afastada, desvalorizada, julgada, descriminada e até assassinada
Você não tem voz
Você não tem capacidade
Você não tem lugar
Você só tem a carne
Eles só querem a carne

Eles só querem atingir aquilo que os excitam
Você não tem direito sobre nada
Nem sobre você
Nem sobre seu corpo

Vocês vão se vender
Vocês sofrem
Vocês sentem
Vocês dormem
Vocês não acordam
Não acordam nunca mais

Querem um sopro de vida
Querem igualdade
Querem respeito
Querem direitos
Querem proteção
Querem inclusão
Querem amor e menos dor
Querem ser tratadas como gente. Como ser.

Mas uma mão te aperta, te sufoca e traz consigo um enorme não!
O machismo te corrói, te destrói e dói
O machismo tem um mundo só dele
Uma sociedade só dele
Mas possui marcas universais
Feminicídio, violências psicológicas, piadas sexistas, vulgarização do corpo da mulher. O estupro.

Te obrigam a ter consciência de que você tem que se conter
Você sempre tem que compreender
Tem que aceitar
Tem que aguentar
Precisa suportar

Marido, pai, irmão, namorado, tio e avô
Eles sempre serão seu tutor
Irão te comandar e controlar
E se você se rebelar? Irá apanhar,sangrar e latejar.

Você só quer que eles entendam que você é gente
Você é linda pelo seu ser
Você merece respeito
Você merece dignidade
Não precisa deles para te sustentar
Não merece ganhar menos ocupando um cargo no mesmo lugar

Você é independente, livre e tem o poder de escolher
De optar
De falar
De fazer sua vida
De se orientar

Você não suporta mais o fardo que te foi imposto pelo simples fato de ser mulher
Você só quer ser cidadã. Você só não quer ser reprimida, recriminada, humilhada e estereotipada
Você não quer ouvir que merecia ser violentada porque usava roupas inadequadas
O que é inadequado?

Por que achar que o incorreto são as roupas e não a violência, o agressor?
Afinal,até onde vai o pudor?
Até quando ter que aprender que você é designada a lavar louça, limpar casa, passar, cozinhar, ter marido e cuidar de filhos?
Você pode não querer casar. Pode não querer ter filhos. Pode não querer fazer trabalhos domésticos
Você não precisa ser dependente de ninguém

Você não é insuficiente
Você tem uma mente e está cansada de um mundo excludente
Mas a mão sempre vem e te coloca as marcas da opressão mas o seu grito sai, ele escapa
Alguém te ouve e tenta ajudar
Mas um mundo te olha e irá trapacear

Desde os primórdios é assim
Você submetida a esse fim
Mulheres fortes começaram a falar
Frida e Chica tentaram nos salvar
Joana D’arc e Bertha Lutz tentaram lutar

A resiliência das mulheres vem sempre a aflorar
Chega de casos como de Lúcia e Maria da Penha
Sua vida só tem que ser plena
Sua condição física não deve determinar o que você deve fazer e onde vai atuar

Não quer sair e ter que se preocupar se vão te drogar e violentar
Não quer olhar para os lados e ter um temor
Você só queria mais amor
Não quer ficar em casa no anoitecer
Só porque não aguenta mais sofrer

Mas tem a esperança de que um dia isso irá acabar
Isso não é ceder, é enxergar
Ver que todos nós merecemos direitos iguais
Proteção na íntegra e muita paz
Paz para andar e para sonhar

Na realidade vamos continuar a lutar
Lutar para ganhar o que sempre foi nosso
Nosso corpo,nossos estudos,nossas vidas e nossos esforços
Um basta chegou e não vamos outorgar

Nossos anseios não vamos frear
Chega de patriarcalismo e dessa submissão
Não aceitamos mais essa obrigação
Sempre fomos oprimidas e estigmatizadas

Não podemos mais ser violadas
Violação da vida. Um enorme rancor
Marcas batidas em nosso interior
Não à violência. Não à dor. Você só quer um frescor
Frescor de vida. Frescor de amor
Mas no final só vai gritar NÃO ao seu opressor!

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