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Causas Sociais, Destaque, Política

Clemência

8 de outubro de 2018
access_time 3 minutos

É a lágrima adquirindo cor
Uma tonalidade bordô
É o corpo suando frio
Com o temor do desamor
É a tragédia declarada
A mazela da falácia
É o falso salvador
Escancarando a dor

É o dedo na ferida
Nunca cicatriza
É a ideia de pudor
Impondo um tutor
É a demagogia ganhando vida
Essa tal hipocrisia

É falar que aceita quem sou
Mitificando quem me embalsamou
É a banalidade do mal
Formando um cenário abismal
É a indiferença frente a crença
O fim dessa sentença
É o açoite na senzala
O preconceito que exala

É a importunação sexual
O nosso funeral
É a ausência da História
Desvelando a escória
A supremacia do mesmo padrão
Nos forçando à submissão

A falta de empatia consolidada
Tudo sendo politicagem monitorada
O patriotismo sendo exaltado
Com seu significado deturpado
Defendendo a anticorrupção
Sem propostas efetivas para essa situação
A promessa idealizada do “cidadão de bem”
Fazendo de nós os reféns

Falando que querem um Brasil melhor
Esquecendo de olhar o todo ao seu redor
Passando por cima dos nossos direitos
Como se fossem simples feitos
Disseminando que priorizam a família de bem
Subjetivando o conceito de bem

Eles clamam por justiça
Espelhando as injustiças
A cegueira da vingança por um caos social
Não se atentando para a desigualdade colossal
Cegos na luta contra o vermelho
Manchando suas mãos com o desprezo
Repletos de um achismo senhorial
É que quem apanha dá o grito final

Desacreditados com o cenário atual
Não percebendo que propiciam o habitual
Simplistas com os seus achismos
Refletindo o comodismo
Perpetuando o ódio e o rancor
Achando que não contribuem para o amargor

Gritando “viva o Estado nacional”
Esquecendo de toda a pluralidade cultural
Focando em um âmbito social
Desmascarando tudo aquilo que sempre foi real
Extinguindo a ideia infame de democracia racial
Fomentando a matança do que não é usual
Adotando um Direito pseudo Natural
Dando voz apenas aquilo que é postural

Projetando todo o escárnio da nação
Padronizando o camburão
Matando na verdade é preto e pobre
Mulher,LGBTQ e tudo o que não é “nobre”
Idealizando o corte de regalias
Mas só quer ter a supremacia

Retrógrado é pouco para categorizar
É aforismo dizer que vamos lutar
A resistência não pode parar
Se abster é conceder
É necessário falar
Ter influência fascista não é motivo pra se orgulhar
É retroceder até não querer mais parar
Mas afinal até quando vamos nos estagnar

Achando que é utópico o genocídio
É porque só olha para o seu umbigo
Esperando que tudo vá melhorar
Não percebendo que vão nos explorar
Mas a resistência irá aflorar
Porque não é radicalismo acreditar que vamos conseguir no final apenas amar

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